Prosa Poética

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Uma pena
Rubra, rubor – ruído ruivo
Feito item desejado
Jaz – ainda que repleta de vida
No papelão bonito de onde veio

Nunca
Sequer
Dali
Saiu

Enquanto observa o líquido

– mesma cor
rubra, rubor – ruído ruivo
Dançar serelepe em cristal humano
Apaixona-se e queixa-se da sina que lhe
Cabe
Abre
Fecha
Resta

O rubor vem do entalhe
Afinação do cálamo
Calado a observar
Rêmige de primeira linha
Ave-falante-de-peito-roxo
Ares exóticos
Mas
É
Brasileira

– brasileiríssima, embora
rubra, rubor – ruído ruivo
Do sul

A bebida reluz

As barbas eriçam

Deve ser sonho

Ar condicionado

Condição de um seu delírio
Quer ser algo
Escrita
Grita

Pensa nas curvas delineadas
Êxtase encontro seu com a bebida
Mergulho
Líquido que de si
Então tinta
A ponta
Uma linha
“O” ponto
.

Rubro

Rubor

………….|….|…|…|.|.|…|.
Ruído ruivo

Bia Mies

BIA MIES é carioca da Serra Fluminense, autointitula-se "do mundo" e reflete em sua escrita um olhar sensível sobre a vida do seu "entremeio": cada crônica torna-se uma interação entre o trivial e a reflexão poética, uma tapeçaria de influências e insights. Tece pontes entre arquitetura, urbanismo, artes visuais e cênicas, moda, leituras, cafés, viagens, família, amores, Zeca (seu fiel companheiro de quatro patas), amigos, Itália e "experiências dos usuários", área na qual atualmente se especializa. Cada percepção transforma-se em texto, numa busca exploratória de pensamentos e emoções, através de uma visão pessoal do cotidiano e do extraordinário. Celebra a beleza da imperfeição e convida o leitor a uma jornada introspectiva, onde cada palavra é cuidadosamente escolhida para ressoar e provocar. Como o sopro das vivências que se entrelaçam pelo seu caminho, Bia Mies homenageia quase duas décadas de exploração literária no Crônicas Cariocas.

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